intensidade

não é como se fizesse falta
longe disso

guardo em prateleiras todas as gargalhadas
os entorpecimentos constantes
os sorrisos confidentes
os brilhos nos olhos
as faixas emendadas
as discussões
as concordâncias
os abraços confortantes
os encontros tardios
as mensagens entregues
as mensagens em espera
as lacunas preenchidas
os gritos
todos os gritos
as danças
as sutis diferenças
as gritantes semelhanças

em armários estão as fotos antigas
as poses não feitas
as mentiras saudáveis
as verdades cruéis
os tímidos vazios
os quilômetros rodados
a velocidade
a inércia
as tentativas
a falha
os tremores
o afago
o menor que foi
o maior que seria
as expectativas
as frustrações
os planos não concretizados
os improvisos (muitos mais
)arquitetados

aprendizados

finas camadas de poeira revestem cada item
cada maquiagem
cada peruca
cada personagem
cada máscara
cada tinta
cada casca

das muitas casas que tive
sobraram rebocos pedras tijolos telhas
folhas insetos
cerâmica
abandonados como memorabilia
acumulada

não é como se fizesse falta
longe disso

na presença majestosa da ausência
guardo comigo
camadas de carbono

retratos de eras que se foram mas que são parte de tudo o que somo

tudo está ali empilhado para quem sabe quando
no dia a dia
através do espelho do olhar
ser, então, revisitado

não é como se fizesse falta
longe disso

a dor que se sente é bem maior que qualquer passado pungente

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