quadro-negro

há um peso nas palavras confidentes

toneladas aos milhares
,são capazes d’afundar quem as recebe de bom
grado

não contentes com o sim de curioso
ouvido, tramam teias tão difíceis de se ver que
aparentes
tornam moscas, as mais ágeis
,fácil presa de centenas d’outros
dentes

nem enganadas podem dizer que foram

armadilhas com aviso
,convidam ao silêncio que não existe
nas palavras ditas
,escutadas
,na compreensão aparente
,no aviso estridente
,no conselho vão
,convidam ao juramento da não repetição
quando ecoam sem parar na cabeça
que as saboreia, faz
canção

há um peso nas palavras confidentes

segredos de segundos, de terceiros
,quartos tão amplos, mobiliados
,tão cheios que
não sobra espaço para a própria decoração
,para os próprios lixos
,para os próprios nichos
,para a própria
recordação

tomam espaços que poderiam ser do próprio
eu
,tornam escassos cantos que teimam em ser
seu

há um peso nas palavras confidentes

o peso de carregar tantos outros mundos que
,cansado
,quem escuta vê só sombras em um
breu

cogita, algo diz
,desiste por um triz

rabisca quanto pode

apaga como
giz

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