preparo

dispor versos à mesa como quem janta
sozinho
na expectativa de
sa bo re ar
o próprio
tempero
,um prato servido de poema por
inteiro

.cardápio improvisado
,junta, com classe
,restos de pacotes repletos de palavras não perecíveis
,massas, grãos
,todos deixados no
armário
para que em momentos de faminta
solidão
se tornem daquele que
cozinha
uma bela, bem servida
,refeição

.medindo só de olhar os condimentos
,despeja todo amargo do passado
ressecado
,pitadas de ironia importada
en français
,past perfect
em demasia

.apimenta com gosto qualquer fantasia refogada em banho
maria

.arde
,como arde o molho
,tanto no preparo quanto no
paladar
.dói o
olho

.das fatias das expectativas cruas
,fica apenas o gosto
intragável
de tanta mistura

.quem sabe um doce futuro não alivie o sabor
,mas, por mais que procure
,não o vê na
despensa
.tem só presente
,só presença

.tudo pronto
,alinha cada estrofe e as acha o
bastante
,brinca com sílabas e começa a engoli-las de maneira
voraz

.saciado
,arrota tudo o que ficou para
trás

.a louça que na pia fique ali
.mesmo suja, é lembrança de que algo está por
vir
(
nem que seja um ou outro ensopado
,talvez logo, talvez
nunca
,não mais leve

.encorpado
)

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