cenário

no silêncio da sala pouco mobiliada, ecoava o som do rádio. as pilhas recém-colocadas durariam por um bom tempo, quem sabe o quanto, quem sabe se o suficiente. esgotariam quando tivessem que esgotar e não havia coisa alguma a ser feita. substitutas, certamente, haveria.

sempre há algo que preencha a ausência vazia.

um sopro gelado saía das frestas das janelas cuidadosamente abertas para circulação de ar. ainda que não tornassem o ambiente desagradável, não seria de todo mal que fossem fechadas e que o pouco calor entre quatro paredes confortasse mesmo o menos sensível à baixa temperatura. não seriam.

relaxar é um perigo quando se tem tanto a fazer.

as lâmpadas estavam apagadas e a pouca luz da tarde se desfazia lentamente. um míope qualquer ficaria irritado e procuraria os óculos amaldiçoando a necessidade de usá-los. cada sombra crescia em ritmo constante até que, no fim, nada sobrou além da escuridão. vai-se o dia, chega a noite. é necessário que os minutos e as horas e os dias e os meses se transformem para a mudança da estação.

natural é toda e mesmo vã alteração.

(…)

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