esquina

armadilhas espalhadas nas esquinas
ocupadas ou vazias

.camufladas pelo brilho
amarelo ou mesmo branco
do iluminar do
poste
ou plantadas no
escuro
de um confiar na
sorte
,prendem pés que
,desatentos
,já não andam por
esporte

.colocadas nas calçadas
encharcadas pela
chuva
,são promessas distorcidas
,enfeitadas
,refletidas
,pelo míope olhar moldadas
como algo além da
curva

.mas não passam d’armadilhas

.são a bala sem
destino
,um assalto à mão
armada
,ameaça sem
aviso
,são da boca a
mordaça

.são azar sem qualquer
sorte
,medo trazem ao mais
bravo
,tornam fraco quem é
forte
,cedo prendem novo
escravo

.delas fogem quem não sofre
pelas dúvidas da
vida
e aqueles que não param
sob a sombra dos
porquês

,quem em segurança segue
sem pensar em um
talvez

.nelas não caem aqueles
que não cogitam
desvios
nem desejam ter, sur-
presos
,alguns belos
arrepios

,quem o seu trajeto traça
como se fosse bem
reto
mesmo um motivo
vão
ou findar de um
projeto

,como se o seu
caminho
nada fosse a seu
destino

.as esquinas são mirantes

.mesmo que apenas
partes
em que param pés e pernas
,mesmo que tragam
combate
par’atravessar
ruelas
,mesmo que um
empecilho
dessa pressa sem descanso

,um olhar nem tão atento
é capaz de ver
ali
um cenário ignorado
por quem quer apenas
ir

.há quem pare nas esquinas

.horas perdidas
,que seja
.nada bast’ao curioso
peit’aberto que
passeia

.papos com estranhos troca
sem calçado, sem
vintém
.vê no nada não
derrota
,mas começo
do que
vem

.perde dedos, perde anéis, sangra
quem a armadilha
apanha

.perde toda a confiança.

.as esquinas são mirantes
,são repletas d’armadilhas

.não negou-lhes o cigarro
nem sorrisos ou ouvidos
ansiando partilhar
as histórias, novo
livro

.aventuras perigosas
para um leitor
recluso
que aprisionad’em prosas
é d’ação autor
confuso

(
grandiosas são façanhas
do saber em teoria
que imune a barganhas
traz à luz alegoria
)

.levaram-me sangue
,deixaram-me marcas
,concederam-me o direito de apanhar em silêncio

.pancada por pancada
,tiraram-me o sorriso
,que se foi
,bem aos poucos

.escorreu pelo pescoço

.humilhações variadas foram arremessadas

.o telefone tocou até cair

.não havia mais telefone
.não havia mais nada

.sozinho, cheguei em casa

.nem me reconhecia mais

.talvez o que falte
é espelho
para refletir
tanta dor
encalacrada
nos agressores

.talvez não falte nada

.a mim não falta

.tiraram-me tudo e
,por isso
,sou o homem mais rico do mundo

.armadilhas espalhadas nas esquinas
ocupadas ou vazias
são do tol’ingênu’encanto
despertar e
alforria
.

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