obsessão

na criação, é preciso que se isole das palavras. destituído de diálogos conhecidos, algo surge do silencioso nada. referências se misturam, uma sopa de letrinhas. viram novos anagramas, trazem uma nova vista. são em panelão fundidas, são da fome a comida.

explodidas, trazem versos, cores, sons. tornam escultur’a ideia e dão forma ao caos que eram. esculpida, é logo vista e discutida e pressuposta. é concreta, não proposta.  amanhã, subjetiva. referência d’outra vida.

têm uns custos variados, já que nada vem de graça. surtos chegam d’improviso sem nem mesmo um aviso. sentimentos empilhados. sensações em vários fardos. quaisquer sonhos ou visões, todo fim desd’o começo; mesmo lixo se armazena. é trabalho bem amargo

trapos são umas lembranças do passado.

pode ser que nuns períodos, perecendo sem delírios, nada novo paira o pai e que não surjam outros filhos. vem o spleen ao acamado, vem a ânsia do chamado. deprimido por desejos, tenta risco, tenta esboço, pinta, xinga em vão esforço. infeliz pel’infortúno, rasga, quebra, jog’ao lixo seus rascunhos.

vir’o peit’um só vazio.

residir n’imenso nada, ser refém da concretude; muitos mais são seus receios. fantasia a juventude como se nos tempos idos à ausência e seus perigos não tivesse sucumbido. se esquece do que tem, de que tem bem mais que antes. nunca para de pensar no terror que lh’apavora, controlando seus segundos, dominando cada hora. já não dorme como antes. rostos não mais lhe encantam. já não sente gosto ou cheiro. se rendeu ao desespero.

dá braçadas sem parar, luta só contr’a corrente. é chegad’esgotamento. é certeiro o fim, somente.

necessário volta e meia se soltar. ao surgir imensa falta, rest’apenas descansar. uma hora o tudo volta.

na criação é preciso que se isole em madrugadas. algo surge do silencioso nada. referências são noturnas, sombras do desconhecido. viram novos anagramas, trazem uma nova vista. são fundido céu tingido.

pode ser que nuns períodos, perecendo sem delírios, nada novo paira o pai e que não surjam outros filhos. é preciso volta e meia se largar. ao surgir imensa falta, só boiar d’encontr’ao mar.

uma hora o tudo volta.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.