trote

Fôlego. Precisava parar, nem que fosse por alguns segundos, para aliviar o peito e as pernas, que pesavam. O vento da madrugada, gelado, molhado, compensava o calor da corrida. Não sabia se ainda o perseguiam, mas azar se alimenta de chance, e essa oportunidade ele não estava disposto a conceder.

Possibilidade tem um preço, e ele não pagaria para ver.

Não aguentando mais, encostou em um poste e deu a si o prazer de rápido descanso. Olhava em volta sem saber exatamente o que esperava encontrar – confiando no instinto para retomar a fuga ao menor sinal de perigo.

Tudo silencioso.

Poucos carros indo e vindo, cautelosos demais para se interessarem por um estranho vagando. Nem cogitavam coisa alguma, o que ocorrera, por que ali. Era passagem rápida.

Iam e vinham e só.

As janelas de casas e prédios fechadas, pouco amigáveis, estavam, em sua maioria, apagadas. Algumas emitiam luzes sem sobra ou movimento. Uma ou outra TV insone aqui e ali.

Palmas e pedido de ajuda estavam fora de cogitação, e um tom de voz mais alto que um cochicho amedrontaria a relativa calma. Ruídos despertam o caos, confundem certezas, envolvem mesmo quem não queira nem saber, que não tenha nada a ver. O incômodo de quem pede por auxílio é relativo, assim como de quem presta ou adia e de quem nega.

Súplicas são origem de dores parceladas.

(…)

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